O que é um conceito arquitetônico, afinal?
De maneira bem simples, um conceito é uma palavra ou uma frase que usamos para entender e interpretar a realidade. Pode ser algo como vermelho, amplo ou rápido, ou ainda expressões como “rua aberta”, “edifício alto” ou “azul contínuo”.
Na arquitetura, o conceito precisa estar relacionado ao universo arquitetônico. Ele pode fazer referência a uma qualidade espacial, a um material, a uma forma de construir ou a uma tipologia. Alguns exemplos são:
- Luz e sombra;
- Fluidez;
- Permeabilidade;
- Materialidade;
- Modularidade.
Só que, na prática, esses conceitos ainda são muito amplos. Para utilizá-los em um projeto, é preciso aprofundá-los e transformá-los em algo mais específico. Aí surgem conceitos como:
- Fluidez espacial;
- Coberturas permeáveis;
- Madeira laminada;
- Estruturas modulares.
Mas atenção: conceito bonito não basta
Não adianta inventar nomes interessantes se você não consegue explicar o que eles significam.
Se o seu conceito é fluidez espacial, por exemplo, você precisa ser capaz de explicá-lo para qualquer pessoa.
Imagine que você percebeu essa ideia observando a cidade. Na sua interpretação, a fluidez espacial acontece quando dois espaços se conectam por meio de determinados elementos, organizados de uma maneira específica.
Algo como:
“Percebi, ao observar a praça da cidade, que a conexão entre dois lugares se torna mais agradável quando o percurso oferece sombra e possui elementos que orientam e dão continuidade à circulação.”
A partir daí, você pode mostrar fotografias, croquis ou referências e dizer:
- “Olha como isso acontece nesta praça”;
- “Neste outro lugar a lógica é parecida”;
- “Nesta avenida também funciona, mas apenas em determinados horários”.
Legal, né?
E se você for mais pragmático?
Sem problemas. Nem todo conceito precisa nascer de uma percepção espacial mais abstrata.
Você pode partir de algo bastante concreto, como a materialidade. Suponha que o seu conceito seja madeira laminada.
Mesmo assim, será necessário dominar o assunto. Você precisa entender:
- Como o material é fabricado;
- Como funciona estruturalmente;
- Quais são os sistemas de fixação;
- Como ele se relaciona com outros materiais;
- Quais são suas vantagens e limitações.
Ou seja, independentemente do caminho escolhido, a regra é a mesma: você precisa conhecer profundamente o conceito que pretende utilizar.
Beleza. E o que eu faço com esse superconceito?
É aqui que entra o tema da pesquisa.
No caso do TFG de Arquitetura, o tema geralmente nasce a partir dos conceitos que você domina.
Pense no conceito e, em seguida, aplique-o a uma determinada situação de uso. Por exemplo:
- Fluidez espacial em espaços públicos;
- Fluidez espacial em ambientes de ensino;
- Madeira laminada em estruturas urbanas.
Percebeu?
Quando você faz essa associação, está a um passo de encontrar o seu tema de pesquisa.
Depois disso, basta definir o programa arquitetônico e você já terá uma base sólida para formular o problema de pesquisa e dar início ao seu TFG.
Sacou a lógica?
- Primeiro você entende profundamente um conceito.
- Depois aplica esse conceito a um contexto específico.
E, quase sem perceber, o tema do seu TFG começa a aparecer.
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A gente se vê no próximo. Fui!