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Sobre o Programa no TFG de Arquitetura

O que é o Programa Arquitetônico?

Programa (…) é aquilo que faz um projeto cair em Arquitetura e não em outro lugar. Juan Borchers Se o programa arquitetônico não pode ser considerado o tema de pesquisa de um TFG, então qual é o seu verdadeiro papel dentro do projeto? Antes de responder essa pergunta, é importante desfazer um equívoco bastante comum entre estudantes — e até mesmo entre arquitetos. Muita gente entende o programa como uma simples lista de ambientes acompanhada de suas áreas ou, no máximo, como um fluxograma mostrando como os espaços se conectam. Embora essas ferramentas possam ser úteis para organizar informações, elas estão longe de representar o que realmente é um programa arquitetônico. O fluxograma acima é um exemplo do que muitos estudantes, e ainda arquitetos, utilizam para definir a estrutura formal ou partido do projeto. Quando reduzimos o programa a um conjunto de cômodos ligados por setas, corremos o risco de transformar a arquitetura em um exercício mecânico: caixas que depois serão “extrudadas” até atingir o pé-direito mínimo exigido pelo código de obras. Nesse processo, o mais importante acaba ficando de fora: a vida que acontecerá dentro desses espaços. Na realidade, o programa arquitetônico deve ser entendido como um conjunto de exigências, condicionantes, relações e intenções que tornam possível o desenvolvimento de uma determinada atividade humana. Mais do que organizar ambientes, ele procura compreender como as pessoas vivem, trabalham, estudam, convivem, circulam e utilizam os espaços. Por isso, o programa não pertence à etapa da composição formal. Ele vem antes. Funciona como uma síntese conceitual que orienta a construção do partido arquitetônico e ajuda a dar sentido às primeiras decisões de projeto. O arquiteto Isidro Suárez defendia exatamente essa ideia ao afirmar que: “O programa não é elemento de uma rotina operativa; é uma criação conceitual, é o primeiro esboço da configuração do projeto apontando para o partido geral.”SUÁREZ, Isidro. O Programa Arquitetural Como Enteléquia do Projeto, 2018. Essa definição muda completamente a forma de enxergar o programa. Em vez de ser apenas uma etapa burocrática do projeto, ele passa a ser uma construção intelectual que ajuda o arquiteto a compreender o problema antes mesmo de pensar na forma. Suárez utilizava ainda o conceito filosófico de enteléquia para explicar essa ideia. Segundo ele, o programa contém, desde o início, a essência do projeto: é a ideia que dá origem à arquitetura e que também serve, ao final do processo, para verificar se as intenções iniciais realmente foram alcançadas. Como explica Fernando Pérez: “Isidro Suárez definiu a noção de programa arquitetônico como a enteléquia do projeto (…). O programa está presente no início do projeto como a ideia-gatilho que o constitui e, ao final, como um padrão para verificar o cumprimento das intenções iniciais.”PÉREZ, Fernando. Cuatro observaciones sobre la planta, 2004. Outra maneira bastante útil de compreender o programa arquitetônico é pensar nele como um conjunto de atos humanos. Toda arquitetura existe porque pessoas realizam ações em determinado lugar e durante determinado período de tempo. Morar, estudar, cozinhar, receber visitantes, trabalhar, descansar, encontrar outras pessoas ou simplesmente contemplar uma paisagem são exemplos desses atos. O papel do arquiteto é compreender essas atividades em profundidade. Isso significa identificar quais ações são realmente essenciais para que aquela atividade aconteça e quais possuem um papel secundário. Essa leitura permite estabelecer hierarquias entre os espaços, entender suas relações e definir quais ambientes precisam ter maior protagonismo dentro da proposta. Nesse sentido, o programa deixa de ser uma coleção de ambientes e passa a representar uma interpretação da realidade que será transformada em arquitetura. Claudio Vásquez explica essa ideia ao afirmar que, para Suárez, o projeto pode ser entendido como um modelo da realidade. O programa, portanto, deve compreender essa realidade, interpretando os usos, costumes e necessidades humanas que futuramente serão materializados no edifício. Essa visão também ajuda a entender por que a forma arquitetônica não deveria surgir apenas da intuição ou de escolhas estéticas. Na arquitetura moderna — e especialmente na arquitetura orgânica — o programa possui um enorme poder organizador. As relações entre os espaços principais e os espaços de apoio, as circulações, as hierarquias e os diferentes níveis de importância das atividades criam tensões internas que orientam a construção da forma. Isso, porém, não significa que a arquitetura possa ser reduzida apenas à função. A função é um instrumento fundamental durante o processo projetual, mas a qualidade arquitetônica ultrapassa o simples atendimento das necessidades práticas. Uma boa arquitetura consegue transformar essas exigências em uma experiência espacial rica, significativa e poética. Ignorar o programa também não torna um projeto mais artístico. Pelo contrário. Como alerta Helio Piñón, abandonar o programa faz com que o projeto perca justamente a tensão criativa entre as necessidades reais e a construção formal da arquitetura, substituindo essa complexidade por respostas superficiais ou guiadas apenas por modismos. Em outras palavras, o programa não limita a criatividade do arquiteto. Ele fornece os elementos que tornam essa criatividade consistente e coerente com a realidade. Por isso, durante o desenvolvimento de um projeto, a pergunta mais importante não deveria ser “quais ambientes esse edifício precisa ter?”, mas sim: “Quais atividades humanas precisam acontecer aqui? Como elas se relacionam? Quais são essenciais? Quais exigem maior protagonismo? E que tipo de espaço permitirá que tudo isso aconteça da melhor maneira possível?” Quando o arquiteto consegue responder essas perguntas, o programa deixa de ser apenas uma lista de ambientes e se transforma em uma verdadeira ferramenta de projeto. É justamente essa interpretação conceitual do programa que estabelece as primeiras hierarquias espaciais, orienta as relações entre os ambientes e fornece as bases para a definição do partido arquitetônico. A forma deixa de ser uma resposta arbitrária e passa a surgir como consequência lógica de uma compreensão profunda das atividades humanas que a arquitetura deve acolher.

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Você sabe o que é o Partido em Arquitetura?

O que é o Partido Arquitetônico?

Entre todas as palavras que os estudantes de arquitetura escutam na faculdade, poucas geram tanta confusão quanto partido arquitetônico. Muita gente imagina que ele seja apenas um desenho inicial, um croqui bonito ou aquela primeira ideia que surge “do nada”. Mas não é isso. O partido é muito mais importante do que um simples esboço. Ele é o momento em que todo o pensamento arquitetônico começa a ganhar forma. Para entender isso, vale imaginar o projeto como uma sequência lógica de etapas.

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Você sabe o que é Conceito em Arquitetura?

O que é um conceito arquitetônico, afinal? De maneira bem simples, um conceito é uma palavra ou uma frase que usamos para entender e interpretar a realidade. Pode ser algo como vermelho, amplo ou rápido, ou ainda expressões como “rua aberta”, “edifício alto” ou “azul contínuo”. Na arquitetura, o conceito precisa estar relacionado ao universo arquitetônico. Ele pode fazer referência a uma qualidade espacial, a um material, a uma forma de construir ou a uma tipologia. Alguns exemplos são:

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A contribuição da abordagem tectônica no ensino do projeto de arquitetura

Projetar é uma atividade fundamentalmente intelectual, não mecânica e de alta complexidade, determinada por relações entre elementos pertencentes ao mundo das ideias e o mundo material. O projeto é o resultado aparente (visual) destas relações que tem como fim a sua materialização no mundo real, transformando-o, constituindo-se assim em uma práxis. Para o autor o projeto supõe uma antecipação da construção, com base na seleção de materiais e técnicas construtivas, podendo ser abordado desde as primeiras etapas de concepção do projeto. Mas, segundo Medeiros, como fazê-lo se quando há um vácuo de conhecimento em tectônica, uma prevalência do discurso sobre a experimentação, e uma falta de pesquisa relativa as questões de ordem técnica no TFG, frequentemente tratado de maneira burocrática pelos estudantes e pouco considerado efetivamente na avaliação dos trabalhos. 

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O processo criativo do projeto arquitetônico

O processo criativo do projeto arquitetônico no TFG

Neste artigo o professor Hélio Hirao nos apresenta um procedimento metodológico, por ele desenvolvido, para orientar os alunos em seus TFGs, visando encaminhar ao projeto final de forma lógica. Mas qual seria a logica quando se tem, como ele afirma, a deficiência do pouco repertório de vivências socioespaciais dos alunos?

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Lugar para o Projeto de TFG de Arquitetura

O que é o lugar arquitetônico?

Quando falamos em lugar arquitetônico, não estamos falando apenas de um espaço físico. Um lugar é um espaço que ganha significado porque é vivido, percebido e experimentado pelas pessoas. Em outras palavras: nem todo espaço é um lugar. Um espaço se torna um lugar quando estabelece uma relação com quem o utiliza. Projetar arquitetura, portanto, não significa apenas desenhar paredes, coberturas, circulações ou fachadas. Significa criar lugares capazes de acolher atividades, despertar sensações, facilitar encontros, construir memórias e produzir experiências. O arquiteto não projeta somente objetos; projeta situações de vida.

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Você sabe o que é o Tema para um TFG de Arquitetura?

O que é o um Tema Arquitetônico?

Todo mundo fala sobre o tema do TFG, mas muita gente ainda confunde o que isso realmente significa. Em arquitetura, o tema de uma pesquisa não é simplesmente o tipo de edifício que você vai projetar. O verdadeiro tema está ligado aos conceitos próprios da arquitetura — como espacialidade, materialidade, estrutura, sistemas construtivos, luz, forma, técnicas, entre outros. São ideias que podem ser estudadas em diferentes projetos e não apenas em um caso específico. Um erro bastante comum é achar que estudar um programa arquitetônico — uma escola, um hospital, um museu ou uma habitação — já é, por si só, um tema de pesquisa. Não é. O programa representa uma necessidade funcional, ou seja, um conjunto de atividades humanas que precisam acontecer em determinado espaço.

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