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O que é o um Tema Arquitetônico?

Você sabe o que é o Tema para um TFG de Arquitetura?

Todo mundo fala sobre o tema do TFG, mas muita gente ainda confunde o que isso realmente significa. Em arquitetura, o tema de uma pesquisa não é simplesmente o tipo de edifício que você vai projetar. O verdadeiro tema está ligado aos conceitos próprios da arquitetura — como espacialidade, materialidade, estrutura, sistemas construtivos, luz, forma, técnicas, entre outros. São ideias que podem ser estudadas em diferentes projetos e não apenas em um caso específico.

Um erro bastante comum é achar que estudar um programa arquitetônico — uma escola, um hospital, um museu ou uma habitação — já é, por si só, um tema de pesquisa. Não é. O programa representa uma necessidade funcional, ou seja, um conjunto de atividades humanas que precisam acontecer em determinado espaço.

Um programa só se transforma em um tema arquitetônico quando você acrescenta uma intenção projetual. Em outras palavras, quando decide investigar como determinado conceito arquitetônico pode responder às necessidades daquele programa. É essa relação entre conceito e projeto que cria um verdadeiro problema de pesquisa.

Vamos entender isso com um exemplo

Imagine que você vai projetar uma escola construtivista para crianças de até 10 anos.

Antes de qualquer coisa, você precisa compreender quem vai usar esse espaço, como funciona a rotina da escola, quais ambientes são necessários, como eles se relacionam e quais vínculos visuais e espaciais precisam existir entre eles.

Mas atenção: quem define quantos alunos haverá por sala, quantos professores serão necessários, quais atividades pedagógicas acontecerão ou como funciona o método de ensino não é o arquiteto. Essas decisões pertencem a profissionais especializados, como pedagogos, psicólogos, assistentes sociais e educadores.

O arquiteto precisa conhecer essas informações, mas não é ele quem as determina.

Então qual é o papel do arquiteto?

O trabalho do arquiteto é interpretar essas necessidades e transformá-las em espaço.

Cabe a ele criar uma forma arquitetônica capaz de abrigar essas atividades da melhor maneira possível. É por meio da organização dos espaços, da escolha dos materiais, do sistema construtivo, da estrutura e da forma que a arquitetura responde às necessidades das pessoas.

E é justamente aí que nasce o tema arquitetônico.

Uma determinada configuração espacial, um material específico ou um sistema construtivo pode ser estudado, testado e desenvolvido ao longo do projeto. Esse processo deixa de ser apenas uma solução para um edifício específico e passa a ser uma pesquisa sobre arquitetura.

Voltando ao exemplo.

Suponha que você esteja projetando uma escola Montessori para 200 alunos. O programa dirá quantas salas de aula serão necessárias, quais espaços administrativos existirão, onde ficará o auditório, a enfermaria, os espaços de convivência e assim por diante.

Ao mesmo tempo, os estudos sobre o método Montessori mostram que os ambientes devem favorecer autonomia, liberdade de circulação, relações visuais, espaços de transição, áreas abertas e diferentes formas de interação entre as crianças.

Essas informações são importantes, mas elas não constituem o seu tema de pesquisa.

Seu TFG não deve ser uma pesquisa sobre o método Montessori, nem uma explicação de suas bases pedagógicas ou de como ele contribui para o desenvolvimento infantil. Você não está se formando em Pedagogia ou Psicologia.

Como futuro arquiteto, sua pesquisa precisa investigar como a arquitetura pode responder a essas necessidades. O foco está na forma, no espaço e na experiência arquitetônica.

Imagine, por exemplo, que você decida trabalhar com o conceito espacial de cheio e vazio. Aplicando esse conceito ao contexto da escola Montessori, seu problema de pesquisa poderia ser:

“Dualidade entre cheio e vazio na composição de espaços de permanência.”

O título do projeto poderia ficar assim:

Dualidade entre cheio e vazio na composição de espaços de permanência: Escola Montessori de Belém – PA.

Agora imagine que seu interesse esteja voltado para a materialidade.

Seu problema de pesquisa poderia ser:

“A madeira laminada como envolvente de espaços contínuos.”

O título seria:

A madeira laminada como envolvente de espaços contínuos: Nova Escola Montessori de Campinas – SP.

Ou, se o foco estiver na tipologia:

“Estruturas modulares aplicadas aos espaços de ensino.”

Nesse caso:

Estruturas modulares aplicadas aos espaços de ensino: Escola Montessori em containers em Londrina – PR.

Percebe a diferença?

O programa continua sendo uma escola Montessori. O que muda é o conceito arquitetônico que você escolhe investigar. É isso que transforma seu projeto em uma pesquisa dentro de um tema arquitetônico.

SE PROGRAMA NÃO É TEMA, ENTÃO O QUE É O PROGRAMA?

Se programa e tema são coisas diferentes, qual é, afinal, a função do programa?

O programa arquitetônico vai muito além de uma lista de ambientes com suas respectivas áreas ou de um fluxograma mostrando ligações entre os espaços.

Na verdade, ele representa um conjunto de condicionantes e relações que permitem que determinada atividade humana aconteça de forma adequada.

Mais do que organizar ambientes, o programa ajuda a compreender como as pessoas vivem, trabalham, estudam, circulam, convivem e utilizam os espaços.

Por isso, ele deve ser entendido como uma síntese que antecede a composição arquitetônica e serve de base para a construção do partido.

O arquiteto Isidro Suárez dizia que o programa é uma criação conceitual: o primeiro esboço da configuração do projeto e um indicativo do seu partido geral.

Outra maneira interessante de enxergar o programa é pensar nele como um conjunto de atos humanos.

Toda arquitetura existe porque pessoas realizam ações em determinado lugar, durante determinado período de tempo. Essas ações precisam acontecer com conforto, eficiência e significado.

Cabe ao arquiteto identificar quais dessas ações são essenciais para que aquela atividade aconteça e quais desempenham um papel secundário. Essa leitura permite estabelecer hierarquias entre os espaços e compreender quais relações devem orientar a forma arquitetônica.

É justamente essa interpretação conceitual do programa que fornece os primeiros elementos para a definição do partido e para a construção de uma arquitetura coerente com as necessidades das pessoas e com o tema de pesquisa escolhido.

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